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Liturgia diária

Terça-feira da 8ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 26 De Maio Cor litúrgica: Verde

1_P 1,10-16.

10 Caríssimos: A salvação das almas foi objeto das investigações e meditações dos profetas que predisseram a graça a vós destinada.
11 Procuravam descobrir a que tempo e circunstâncias se referia o Espírito de Cristo que estava neles, quando predizia os sofrimentos de Cristo e as glórias que se lhes haviam de seguir.
12 Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós, que no seu ministério transmitiam essa mensagem. É essa mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, o qual os próprios Anjos desejam contemplar.
13 Por isso, tende o vosso espírito alerta e sede vigilantes; ponde toda a vossa esperança na graça que vos será concedida, quando Jesus Cristo Se manifestar.
14 Como filhos obedientes, não vos conformeis com os desejos de outrora, quando vivíeis na ignorância.
15 Mas, à semelhança do Deus santo que vos chamou, sede santos, vós também, em todas as vossas ações,
16 como está escrito: «Sede santos, porque Eu sou santo».

98(97),1.2-3ab.3c-4.

R/ O Senhor revelou a sua salvação.

1 Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

2 O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
3 Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
3 em favor da casa de Israel.

3 Os confins da Terra puderam ver
4 Aclamai o Senhor, Terra inteira,
exultai de alegria e cantai.

Marcos 10,28-31.

28 Naquele tempo, Pedro começou a dizer a Jesus: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir».
29 Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras por minha causa e por causa do evangelho
30 receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna.
31 Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros».

Comentário ao Evangelho

«Nós deixámos tudo para Te seguir»

Não somos chamados uma só vez, mas muitas vezes; Cristo chama-nos ao longo de toda a nossa vida. Chamou-nos primeiro pelo batismo e continua a chamar-nos; quer Lhe obedeçamos, quer não, Ele chama-nos na sua misericórdia. Se faltarmos às promessas batismais, Ele chama-nos ao arrependimento. Se nos esforçarmos por responder à nossa vocação, Ele chama-nos para irmos sempre mais além, de graça em graça, de santidade em santidade, enquanto nos for sendo concedida vida para tal.

Abraão foi chamado a deixar a sua casa e o seu país (cf Gn 12,1), Pedro as suas redes (cf Mt 4,18), Mateus o seu emprego (cf Mt 9,9), Eliseu a sua propriedade (cf 1R 19,19), Natanael o seu recolhimento (cf Jo 1,47). Todos somos chamados sem cessar de uma coisa a outra, para ir sempre mais longe, sem lugar de repouso, mas subindo para o nosso repouso eterno e obedecendo a um apelo interior que nos prepara para ouvir o seguinte.

Cristo chama-nos sem cessar, para nos justificar sem cessar; sem cessar, cada vez mais, Ele quer santificar-nos e glorificar-nos. Devíamos compreendê-lo, mas somos lentos a dar-nos conta dessa grande verdade – que Cristo caminha de alguma forma no meio de nós e que, com a sua mão, os seus olhos, a sua voz, nos faz sinal para que O sigamos. Não percebemos que o seu apelo tem lugar neste preciso momento; pensamos que teve lugar no tempo dos apóstolos, mas não acreditamos nele, não o ouvimos verdadeiramente para nós próprios.

São John Henry Newman (1801-1890) teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra Sermão «Os apelos divinos», PPS, vol 8, n.º 2

Santo do Dia