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Liturgia diária

Sábado da 4ª semana do Tempo Comum

Sábado, 8 De Fevereiro Cor litúrgica: Verde

3,4-13.

4 Naqueles dias o rei Salomão foi oferecer sacrifícios a Gabaon, porque era o principal dos altos lugares sagrados; Salomão ofereceu mil holocaustos sobre aquele altar.
5 Em Gabaon, durante a noite, o Senhor apareceu em sonhos a Salomão e disse-lhe: «Pede-Me o que quiseres».
6 Salomão respondeu: «Vós manifestastes grande benevolência para com o vosso servo David, meu pai, porque ele andou na vossa presença com fidelidade, justiça e retidão de coração. Mantivestes com ele tão grande benevolência que lhe destes um filho para suceder no seu trono, como acontece neste dia.
7 Salomão respondeu: «Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David, e eu sou muito novo e não sei como proceder.
8 Este vosso servo está no meio do povo escolhido, um povo imenso, inumerável, que não se pode contar nem calcular.
9 Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?».
10 Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão
11 e disse-lhe: «Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça,
12 vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti».
13 Dar-te-ei também o que não pediste: dou-te riqueza e glória, de modo que, durante a tua vida, não haverá, entre os reis, ninguém como tu».

119(118),9.10.11.12.13.14.

9 Como há de o jovem manter puro o seu caminho?
Guardando as vossas palavras.
10 De todo o coração Vos procuro,
não me deixeis afastar dos vossos mandamentos.

11 Conservo a vossa palavra dentro do coração,
para não pecar contra Vós.
12 Bendito sejais, Senhor,
ensinai-me os vossos decretos.

13 Enuncio com os meus lábios
todos os juízos da vossa boca.
14 Sinto mais alegria em seguir as vossas ordens
do que em todas as riquezas.

6,30-34.

30 Naquele tempo, os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado.
31 Então Jesus disse-lhes: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer.
32 Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém.
33 Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles.
34 Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.

Comentário ao Evangelho

«Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco»

Se queres vir a Mim e encontrar-Me, segue-Me, vem procurar-Me. Conta Marcos: «Jesus disse-lhes: "Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco". De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer» (Mc 6, 31).

Infelizmente, as paixões da carne e o tumulto dos pensamentos que vão e vêm no nosso coração são tais que não termos tempo de comer o alimento de doçura eterna, de saborear a contemplação interior. É por isso que o Mestre nos diz: «Vinde comigo para um lugar isolado» da multidão, para a solidão do espírito e do corpo, «e descansai um pouco». E será mesmo muito pouco, porque diz o Apocalipse que «fez-se silêncio no Céu durante cerca de meia hora» (Ap 8,1), e um salmo pergunta: «Quem me dará asas como à pomba, para que levante voo?» (Sl 54,7 LXX).

Mas oiçamos o que diz o profeta Oseias: «Seduzi-la-ei e conduzi-la-ei ao deserto, e falar-lhe-ei ao coração» (Os 2,14 Vulgata). Estas três expressões - seduzir, conduzir ao deserto, falar ao coração - designam as três etapas da vida espiritual: o começo, o progresso, a perfeição. O Senhor seduz o principiante quando o ilumina com a sua graça, para que ele cresça e progrida de virtude em virtude. Em seguida, afasta-o do tumulto dos vícios e da desordem dos pensamentos para o repouso do espírito; finalmente, uma vez chegado à perfeição, fala-lhe ao coração. A alma experimenta então a doçura da inspiração divina, e pode entregar-se por completo às alegrias do espírito.

Que profundidade de devoção, de maravilhamento e de felicidade se não encontram no seu coração! Pela devoção, ela eleva-se acima de si mesma; pelo maravilhamento, é conduzida acima de si mesma; pela felicidade, é transportada para fora de si mesma.

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231) franciscano, doutor da Igreja Sermão sobre a festa de São João Evangelista

Santo do Dia