Saltar para o conteúdo principal

Liturgia diária

Terça-feira da 27ª semana do Tempo Comum

Terça-Feira, 6 De Outubro Cor litúrgica: Verde

Ga 1,13-24.

13 Irmãos: Certamente ouvistes falar do meu proceder outrora no judaísmo e como perseguia terrivelmente a Igreja de Deus e procurava destruí-la.
14 Fazia mais progressos no judaísmo do que muitos dos meus compatriotas da mesma idade, por ser extremamente zeloso das tradições dos meus pais.
15 Mas, quando Aquele que me destinou desde o seio materno e me chamou pela sua graça Se dignou
16 revelar em mim o seu Filho para que eu O anunciasse aos gentios, decididamente não consultei a carne e o sangue,
17 nem subi a Jerusalém para ir ter com os que foram apóstolos antes de mim; mas retirei-me para a Arábia e depois voltei novamente a Damasco.
18 Três anos mais tarde, subi a Jerusalém para ir conhecer Pedro e fiquei junto dele quinze dias.
19 Não vi mais nenhum dos apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor.
20 O que vos escrevo, diante de Deus o afirmo: não estou a mentir.
21 A seguir, fui às regiões da Síria e da Cilícia.
22 Eu era pessoalmente desconhecido das Igrejas da Judeia que estão em Cristo.
23 Só tinham ouvido dizer: «Aquele que outrora nos perseguia anuncia agora a fé que então combatia».
24 E davam glória a Deus a respeito de mim.

139(138),1-2.3b.13-14.15ab.

1 Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:
2 sabeis quando me sento e quando me levanto.
De longe penetrais o meu pensamento:
3 observais todos os meus passos.

13 Vós formastes as entranhas do meu corpo
e me criastes no seio de minha mãe.
14 Dou-Vos graças por me terdes feito tão maravilhosamente:
admiráveis são as vossas obras.

15 Vós conhecíeis já a minha alma
e nada do meu ser Vos era oculto
quando secretamente era formado,
15 modelado nas profundidades da terra.

Lucas 10,38-42.

38 Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.
39 Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
40 Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me».
41 O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas,
42 quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

Comentário ao Evangelho

«Uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa»

Na eternidade, havemos de nos sentar à mesa. Não me atreveria a dizê-lo, se não tivesse sido o Senhor a prometê-lo: Ele promete uma grande recompensa aos seus servos, a quem diz: «Cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá» (Lc 12,37). [...] Grande é, pois, a promessa, e feliz o seu cumprimento. Comportemo-nos de maneira a merecê-la; deixemo-nos ajudar a chegar ao local onde o Senhor nos servirá à mesa.

Essa refeição será um repouso; «os servirá» significa que Ele nos saciará. Com que alimento e com que bebida? Certamente, com a própria verdade. [...] Não acreditas que Deus possa alimentar-te dessa maneira, quando já é assim que o teu olho se sacia de luz? Seja vista por muitos ou por poucos, a luz brilha sempre com a mesma intensidade, espalhando conforto, sem nunca faltar, sem diminuir com o uso. [...] Não compreendeis ainda? É porque andais ocupados com muitas coisas. É o trabalho de Marta que vos ocupa – mais ainda, que nos ocupa a todos. Pois ninguém está dispensado deste trabalho de assistência. [...]

É por isso, meus queridos, que vos peço e vos exorto [...]: desejemos juntos esta vida. Corramos para ela todos juntos, para nela permanecermos à chegada. Está a chegar a hora, e essa hora será sem fim, em que o Senhor nos fará sentar à mesa para nos servir; e o que nos servirá é Ele mesmo. Quereis saber o que comereis? Será o próprio Senhor que comereis. [...] «Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para gozar da suavidade do Senhor» (Sl 27,4) [...] Não tenhamos o gosto dos alimentos carnais [...], pois eles passarão. Se queres ser como Marta e dedicar-te aos mesmos ofícios, fá-lo com moderação e misericórdia. [...] O trabalho passa, e virá o repouso, mas só se chega ao repouso pelo trabalho. O navio passa e chega-se à pátria, mas só se chega à pátria no navio. Estou, porém, seguro de que não havemos de naufragar, porque somos transportados pelo madeiro da cruz.

Santo Agostinho (354-430) bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja Sermão 104

Santo do Dia