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Liturgia diária

Sexta-feira da 19ª semana do Tempo Comum

Sexta-Feira, 14 De Agosto Cor litúrgica: Verde

Ezequiel 16,1-15.60.63.

1 O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo:
2 «Filho do homem, mostra a Jerusalém as suas ações abomináveis
3 e diz-lhe: Assim fala o Senhor Deus a Jerusalém: "Pela tua origem e nascimento, és da terra de Canaã. O teu pai era amorreu e a tua mãe hitita.
4 Quando nasceste, no dia em que vieste ao mundo, não te cortaram o cordão, nem te banharam para seres purificada; não te fizeram as fricções de sal, nem te envolveram em panos
5 Ninguém lançou sobre ti um olhar compassivo; ninguém te prestou esses cuidados, nem teve pena de ti. No dia em que nasceste, foste deixada no meio do campo, pela repugnância que inspiravas.
6 Quando passei junto de ti, vi que te revolvias no teu sangue. E, vendo-te ensanguentada, Eu disse-te: 'Quero que vivas';
7 e fiz-te crescer como a erva dos campos. Cresceste, ganhaste corpo e chegaste à idade florida. Formaram-se os teus seios, cresceram os teus cabelos, mas estavas nua.
8 Passei de novo junto de ti e vi que tinhas chegado à idade dos amores. Estendi sobre ti a aba do meu manto e escondi a tua nudez. Fiz então um juramento e estabeleci uma aliança contigo", diz o Senhor Deus, "e ficaste a pertencer-Me.
9 Lavei-te com água, limpei-te do sangue que te cobria e ungi-te com óleo.
10 Vesti-te com roupas bordadas, calcei-te sandálias de fino cabedal, dei-te uma faixa de linho e um manto de seda.
11 Adornei-te com joias, coloquei braceletes nos teus pulsos e um colar ao teu pescoço.
12 Pus-te um anel no nariz, brincos nas orelhas e um precioso diadema na cabeça.
13 Tinhas adornos de ouro e de prata, os teus vestidos eram de linho fino, de seda e tecidos bordados, e o teu alimento era a flor da farinha, mel e azeite. Tornaste-te cada vez mais bela e chegaste a ser rainha.
14 A tua fama divulgou-se entre as nações, por causa da tua formosura, que era perfeita, graças ao esplendor com que Eu te tinha revestido", diz o Senhor Deus.
15 "Mas tu confiaste na tua beleza e aproveitaste a tua fama para te prostituíres com todos os que passavam.
60 Mas lembrar-Me-ei da aliança que fiz contigo nos dias da tua juventude e estabelecerei contigo uma aliança eterna.
63 de modo que te lembres do passado e te humilhes e não voltes a abrir a boca de vergonha, quando Eu te perdoar o que fizeste", diz o Senhor Deus».

Isaías 12,2-3.4bcd.5-6.

R/ Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

2 Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.

3 Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
4 Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome.
4 Anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
4 proclamai a todos que o seu nome é santo.

5 Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a Terra.
6 Entoai cânticos de alegria e exultai, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

Mateus 19,3-12.

3 Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns fariseus para O porem à prova e disseram-Lhe: «É permitido ao homem repudiar a sua esposa por qualquer motivo?».
4 Jesus respondeu: «Não lestes que o Criador, no princípio, os fez homem e mulher
5 e disse: "Por isso o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa e serão os dois uma só carne"?
6 Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu».
7 Eles objetaram: «Porque ordenou, então, Moisés que se desse um certificado de divórcio para se repudiar a mulher?».
8 Jesus respondeu-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu repudiar as vossas mulheres. Mas no princípio não foi assim.
9 E Eu digo-vos: Quem repudiar a sua mulher, a não ser em caso de união ilegítima, e casar com outra, comete adultério».
10 Disseram-Lhe os discípulos: «Se é esta a situação do homem em relação à mulher, não é conveniente casar-se».
11 Jesus respondeu-lhes: «Nem todos compreendem esta linguagem, senão aquele a quem é concedido.
12 Na verdade, há eunucos que nasceram assim do seio materno, outros que foram feitos pelos homens e outros que se tornaram eunucos por causa do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda».

Comentário ao Evangelho

«E serão os dois uma só carne»

A relação de Deus com Israel é ilustrada através das metáforas do noivado e do matrimónio; consequentemente, a idolatria é adultério e prostituição. [...] O erôs de Deus pelo homem – como dissemos – é ao mesmo tempo totalmente agapê. [...] O amor apaixonado de Deus pelo seu povo – pelo homem – é ao mesmo tempo um amor que perdoa. [...] Na Bíblia encontrarmo-nos diante de uma imagem estritamente metafísica de Deus: Deus é absolutamente a fonte originária de todo o ser; mas este princípio criador de todas as coisas – o Logos, a razão primordial – é, ao mesmo tempo, um amante com toda a paixão de um verdadeiro amor. Deste modo, o erôs é enobrecido ao máximo, mas simultaneamente tão purificado que se funde com a agapê.

A primeira novidade da fé bíblica consiste na imagem de Deus; a segunda, essencialmente ligada a ela, encontramo-la na imagem do homem. A narração bíblica da criação fala da solidão do primeiro homem, Adão, querendo Deus pôr a seu lado um auxílio. [...] A ideia de que o homem está de algum modo incompleto, constitutivamente a caminho a fim de encontrar no outro a parte que falta para a sua totalidade, isto é, a ideia de que só na comunhão com o outro sexo pode tornar-se completo, está sem dúvida presente. E, deste modo, a narração bíblica conclui com uma profecia sobre Adão: «Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e os dois serão uma só carne» (Gn 2,24).

Aqui há dois aspetos importantes: primeiro, o erôs está de certo modo enraizado na própria natureza do homem; Adão anda à procura e deixa o pai e a mãe para encontrar a mulher; só no seu conjunto é que eles representam a totalidade humana, tornando-se «uma só carne». Não menos importante é o segundo aspeto: numa orientação baseada na criação, o erôs impele o homem para o matrimónio, para uma ligação caracterizada pela unicidade e para sempre; é assim, e somente assim, que se realiza a sua finalidade íntima. À imagem do Deus monoteísta corresponde o matrimónio monogâmico. O matrimónio baseado num amor exclusivo e definitivo torna-se o ícone do relacionamento de Deus com o seu povo e, vice-versa, o modo de Deus amar torna-se a medida do amor humano.

Bento XVI papa de 2005 a 2013 Encíclica «Deus charitas est», §9-11

Santo do Dia