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Liturgia diária

Quarta-feira da 18ª semana do Tempo Comum

Quarta-Feira, 5 De Agosto Cor litúrgica: Verde

Jeremias 31,1-7.

1 «Naquele tempo», diz o Senhor, «serei o Deus de todas as tribos de Israel e elas serão o meu povo».
2 Assim fala o Senhor: «O povo que escapou à espada foi favorecido no deserto: Israel vai chegar ao seu repouso».
3 De longe o Senhor apareceu-lhe, dizendo: «Amei-te com amor eterno; por isso tive compaixão de ti.
4 Hei de edificar-te novamente e serás reconstruída, virgem de Israel. Voltarás a adornar-te com os teus tamborins, para tomar parte em danças festivas.
5 De novo plantarás vinhas nos montes da Samaria e aqueles que as plantarem colherão os seus frutos.
6 Porque virá um dia em que as sentinelas gritarão sobre os montes de Efraim: "Levantai-vos! Subamos a Sião, ao encontro do Senhor, nosso Deus"».
7 Assim fala o Senhor: «Soltai brados de alegria por causa de Jacob, aclamai a primeira das nações. Fazei ouvir os vossos louvores e proclamai: "O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel"».

Jeremias 31,10.11-12ab.13.

R/ Como o pastor guarda o seu rebanho, assim nos guarda o Senhor.

10 Escutai, ó povos, a palavra do Senhor
e anunciai-a às ilhas distantes:
Aquele que dispersou Israel vai reuni-lo
e guardá-lo como um pastor ao seu rebanho.

11 O Senhor resgatou Jacob
e libertou-o das mãos do seu dominador.
12 Regressarão com brados de alegria ao monte Sião,
12 acorrendo às bênçãos do Senhor.

13 A virgem dançará alegremente,
exultarão os jovens e os velhos.
Converterei o seu luto em alegria
e a sua dor será mudada em consolação e júbilo.

Mateus 15,21-28.

21 Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia.
22 Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».
23 Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós».
24 Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel».
25 Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor».
26 Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos».
27 Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».
28 Então, Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.

Comentário ao Evangelho

«Meu Senhor, nosso único Rei, vinde socorrer-me, porque estou só e não tenho outro auxílio senão Vós» (Est 14,3)

No evangelho, Jesus convida-nos à oração: «Pedi e dar-se-vos-á, procurai e encontrareis, batei à porta e abrir-se-vos-á» (Mt 7,7). Estas palavras de Jesus são preciosíssimas, porque exprimem a verdadeira relação entre Deus e o homem, e porque respondem a um problema fundamental de toda a história das religiões e da nossa vida pessoal: será justo e bom pedir alguma coisa a Deus? Ou a única resposta correspondente à transcendência e à grandeza de Deus é glorificá-lo, adorá-lo, dar-Lhe graças, numa oração que será, por conseguinte, desapegada? [...]

Jesus ignora este receio. Jesus não ensina uma religião para elites, totalmente desinteressada. A ideia de Deus que Jesus nos ensina é diferente: o seu Deus é muito humano, um Deus bom e poderoso. A religião de Jesus é muito humana, muito simples, é a religião dos simples: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11,25). Os pequeninos, os que têm necessidade da ajuda de Deus e o dizem, compreendem muito melhor a verdade do que os inteligentes, que, recusando a oração de súplica e aceitando apenas o louvor desinteressado de Deus, constroem uma autossuficiência do homem que não corresponde à sua indigência, tal como é expressa nas palavras de Ester: «Vinde socorrer-me, porque estou só» (Est 14,3). Por trás desta nobre atitude que não quer incomodar Deus com os nossos pequenos males, esconde-se a seguinte dúvida: terá Deus poder para responder às realidades da nossa vida, poderá Deus mudar as nossas situações e entrar na realidade da nossa vida terrena? [...]

Se Deus não atua, se não tem poder sobre os acontecimentos concretos da nossa vida, como é que continua a ser Deus? Mas, se Deus é amor, o amor não encontrará uma possibilidade de responder à esperança daquele que ama? Se Deus é amor, e se Ele não pudesse ajudar-nos na nossa vida concreta, o amor não seria o poder maior deste mundo.

Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI Papa de 2005 a 2013) Retiro pregado ao Vaticano, 1983

Santo do Dia